Michael Jordan é considerado por muitos o maior jogador de basquete da história, acumulando 6 títulos da NBA, do quais 6 foi eleito melhor na final e 5 foi eleito o melhor jogador da temporada completa. Até hoje nenhum outro atleta conseguiu bater sua maior média de pontos por jogo: 30.
Seu talento nato não passou despercebido nem mesmo em seus primeiros passos no basquete. Quando ainda era um calouro, Jordan já ostentava impressionantes 53% de aproveitamento e marcou a cesta que deu o título nacional à UNC em 1982, ocasião que também foi eleito o Jovem do Ano. Dois anos após foi a terceira escolha no Draft, sendo escolhido pelo Chicago Bulls.
Mesmo sem ter a certeza que Michael seria um dos maiores, já havia a certeza que definitivamente teria sucesso. Os clubes sabiam disso e as empresas também. O então jovem Michael poderia aos 21 anos escolher por qual empresa seria patrocinado.
A Comporte era a marca oficial da NBA, patrocinava estrelas como Magic Johnson e Larry Bird, o modelo Converse All Star era tendência. A linha All Star até hoje é lembrada por compradores em todo o mundo.
Do outro lado tinha a gigante alemã Adidas. Seu tênis Superestar se tornou popular rapidamente entre os jogadores da NBA e também patrocinava jogadores relevantes como Kareem Abudul-Jabbar. A marca era vista por mais "cool" entre os jovens e talvez por isso era a preferida de Michael Jordan.
Havia ainda uma pequena e de pouca relevância que corria por fora, a Nike. Poucos atletas relevantes, não tinha os times, não tinha tênis sensação, tinha apenas um sonho. Porque alguém como Michael Jordan pensaria em fechar com eles?
A história nos mostra que na Comporte seria só mais um entre outras grandes estrelas, na Adidas até teria grande destaque, mas os alemães não cobriram a proposta única e nunca feita a um atleta no mundo até então: Além de um patrocínio garantido base de 500 mil dólares por ano, a Nike incluiu em contrato participação nos lucros da vendas de seu futuro tênis.
E aqui começa a história que vim escrever: A Jordan Brand.
A primeira colaboração entre o então prodígio e a pouco expressiva Nike veio a ser lançada 2 anos depois do contrato firmado. O conhecemos como Air Jordan, tênis assinatura que leva o nome do atleta e o rende royalties de venda. O primeiro atleta a conseguir tal feito.
O tênis foi lançando com um chamativo vermelho e preto, fora das rígidas regras de uniformidade de calçados da Liga, o que acabou culminando na proibição da utilização do calçado sob pena de multa. E aqui teve o segundo grande acerto da Nike: a empresa pagou as multas, Jordan utilizou o seu tênis em quadra em todos os jogos.
A quebra de regra resultou em um grande case de Marketing, Air Jordan se tornou um símbolo de rebeldia e estilo, forjando uma marca forte que desde o primeiro momento se tornou uma referência.
Ao passar do tempo a Nike transformou a Jordan Brand em uma linha premium, indo além do basquete e atuando em todo seguimento streetwear. Hoje a Jordan sozinha já fatura em torno de 7 bilhões de dólares, representando cerca de 14% do faturamento total da Nike.
Por sua vez, o impacto cultural da marca é praticamente imensurável.
Apesar de referência em diferentes mercados, a Jordan não parece dispor, pelo menos a primeira lembrança, o conhecimento do grande público brasileiro. Isso foi notado quando a marca lançou a segunda camisa da Seleção para a Copa do Mundo de 2026, que será disputada principalmente no Estados Unidos.
Reações e burburinhos foram diversos, a começar pelo desconhecimento: diversas pessoas entenderam a logo Jumpman, que é silhueta do Michael Jordan, como uma homenagem ao atleta. Como se a maior Seleção da história estivesse homenageando um atleta americano de um esporte americano, como se isso por sua vez também fosse um problema.
É fato conhecido que a Copa será jogada com a vasta maioria dos jogos nos Estados Unidos, ativações com o público local não é um defeito, mas sim aconselhável. Na Copa disputada no Brasil em 2014 a alemã Adidas produziu o primeiro uniforme da Alemanha como se fosse um uniforme do Flamengo.
Mas não, não é uma homenagem. É a logo de uma marca, que foi construída ao longo de décadas, que surgiu no basquete, tal como a própria Nike, se expandiu para o streetwear, tal como a própria Nike e agora se expande a outros esportes, tal como a própria Nike o fez no passado.
Não há margem para antiamericanismos, a própria Nike é americana nascida e criada em esportes americanos. Se esse é o problema, a Nike já é o problema em si. Não há como colocar em voga um brasilianismo quando é público e notório a inexistência de uma empresa brasileira capaz de competir mundialmente com Nike, Adidas ou Puma. E está tudo bem, isso não nos define como nação. A autossuficiência completa é ilusória.
Tem gente demais para criticar uma inexistente homenagem ou um americanismo de uma empresa americana para um evento a se disputado nos Estados Unidos para tão poucas pessoas comprando e usando Olympikus.
Isso é evidentemente um exercício de imaginação, porém fico pensando o que essas mesmas pessoas diriam caso a Jordan lançasse uma grife baseada na Seleção francesa e deixasse a Seleção Brasileira de lado. Essa pessoas diriam que a Nike não dá a devida atenção a maior Seleção do mundo? Tem pessoas que reclamam por reclamar.
Mas que seja! Como assim o Brasil não pode receber uma Olimpíadas de Inverno? Isso é determinismo geográfico. Vamos comprar neve!
Observação curiosa: hoje o Brasil está na moda, fato é que a própria Jordan quer surfar na onda do BrasilCore em sua coleção streetwear da Seleção Brasileira. Mas isso não era verdade nas primeiras décadas do século.
Por anos e anos a moda era falar mal do Brasil e ai de quem elogiasse. Por muito tempo fui chamado de pacheco, patriota (em tom jocoso) entre outras coisas nesse sentido. Tudo que o Brasil fizesse era ruim. Tudo que vinha de fora era bom.
Agora que os Gringos validaram o soft power cultural brasileiro, ai aparentemente as mesmas pessoas que antes era crime elogiar o Brasil, se falar uma verdade que se julgue inconveniente ao brasileiro modista é o suficiente para que se abra os portões da coitadolândia.
Cuidado! Anos de viralatismo não serão corrigidos com anos de complexo de inferioridade.
Há quem diga que a comemoração de Pelé seria muito mais lisonjeada do que a silhueta de Michael Jordan. Isso, uma vez mais ignorando que não é uma homenagem, é uma marca comercial construída ao longo de muitos anos.
Particularmente eu ficaria muito feliz se a NR Sports, empresa da família de Neymar que possui direitos de uso da marca Pelé conseguisse emplacar uma empresa tão influente e relevante, a altura do Rei, convertendo o seu legado esportivo também em comercial. Talvez a Puma, que sempre patrocinou Pelé até possa ter interesse.
Mas definitivamente não será simplesmente copiando o estilo de colocar a silhueta do atleta em uma camisa. Do ponto de vista jurídico talvez até seja possível, mas comercialmente não teria sucesso se tivesse fardada a ser a cópia brasileira da Jordan. Pelé merece mais.
Uma eventual construção de marca passaria necessariamente por características únicas, tal como Pelé era único, o melhor da história. Singular.
Logo, penso eu, simplesmente achar que colocar a silhueta do Rei no lugar do Jordan não é um ato revolucionário e sim uma solução ruim para um problema inexistente.
Por fim, a camisa em si não me cai bem, parece ter a silhueta de um ET, não é uma combinação de cores que me agrada, Azul, preto, amarelo e ciano (?). Mas a camisa 2 é via de regra menos vendida que a principal em todas as partes do mundo.
O objetivo de fazer esse modelo inusitado na secundária é claro: apelar ao streetwear para levantar as vendas. E dará certo. O que mais tem por ai é roupa feia fazendo sucesso. E diferente do que se é dito na internet, no mundo real, a coisa é outra.
Esse problema tem que acabar, então é hora de fechar o notebook e conversar com alguém.
Comentários
Postar um comentário